terça-feira, 27 de agosto de 2013

Just Things......Segunda Pele

Observava-os de longe...há tanto tempo.

Admirava-lhes as palavras que entoavam ao mundo.
Encantava-me com os sons que me enchiam os ouvidos enquanto desvendava as mensagens que lia para além das letras.
Conhecia as imagens com que ilustrava as suas diferentes peles, as capas que usava não para se cobrir, mas para se mostrar, tão singulares e caracerísticas.
Sem nunca os ter visto....conhecia-os tão bem!
Mas tal como tudo o que admiramos, pareciam-me tão distantes...completamente inacessíveis. Faziam-me sentir pequena, incapaz de alguma vez lhes tocar, algo que inequivocamente desejava mas que nem me atrevia a desejar alcançar.
Às vezes afastava-me, mas nunca os esquecia e regularmente voltava para sugar cada palavra com que se partilhavam.

Um dia soube-os próximos, e ouvi:
Came through,someone spoke to me
Whispered in my ear
This fantasy's for you
Fantasy's are in this year
My whole life flashed,before my eyes
I thought,what they say is true
I've shed my skin,and my disguise
And cold on the naked eye
Emerged from my cocoon
And a half remebered tune played softly in my head

Apesar de me mostrar apenas uma pele e não o todo, fui atrás dele.
Chegava do Norte, tal como quase todas as coisas boas que me surgiram na vida e recordei os meus tempos de menina em que esperava ansiosa pelas novidades que me traziam do Porto ou de Inglaterra, principalmente de Manchester. Era assim que me sentia.....menina.
Vi-o apenas ao longe, na pele que me desvendava mas mesmo assim fiquei vidrada, ouvia:
He said
He turns smiling...and said
...
I realise a miracle,is due
I dedicate this melody,to you
But is this the stuff dreams are made of?
If this is the stuff dreams are made of
No wonder i feel like i'm floating on air

Até que a vida o trouxe para o meu quintal.
Olhei e estava lá!  Humano, palpável, a descer do pedestal onde o tinha colocado e a estender-me a mão. Falava para mim, entregava-se a mim no seu todo e desvendava-me a pele debaixo da pele.
Dizia-me:
Like when you fail to make the connection,you know how vital it is
Oh when something slips through your fingers you know how precious itis
And you reach the point when you know
It's only your second skin
It's only your second skin
Someone's banging on my door

Há pessoas que se tornam tão grandes que conseguem mudar um pouco o mundo e essas querem-se livres para voar alto e tocar muitas Almas.
Mas eu sei, que naquele dia, o Camaleão foi meu. Na pele que me mostrou e na que guardou debaixo de si.
E só por isso, mesmo que nunca mais lhe voltasse a tocar com o olhar, ficou plantado em mim.
Fez-me ver que não há sonhos impossíveis e que por vezes a vida nos dá presentes inesperados, como ter o Camaleão a tocar no meu quintal.
Desde esse dia o brilho da Estrela ficou mais forte.

Can you see the Star shining?

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Pleasures....O Trio (the review)

A faixa resultou!
O poder e intensidade dos acordes foi sublime.
Apesar de nunca terem tocado juntos, encaixaram bem, ouve sintonia, aconteceu magia!
As expectativas foram superadas e a opinião geral é que a união destes interpretes e dos seus instrumentos é promissora.
A melodia rápida e pujante soou muito satisfatória, mas ficou a nítida sensação que poderiam ter feito melhor, que podem chegar muito mais longe.
O conhecimento das características exclusivas de cada um e a cumplicidade entre os interpretes poderão permitir compor sinfonias memoráveis e quem sabe introduzir mais instrumentos e aumentar a complexidade da composição.
Recomenda-se treino e muitos ensaios. 
Se permanecerem juntos com esta entrega irão fazer história nesta vertente musical.

Do you play this sound?

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Pleasures.....o Prazer de Desafinar (the end)

Explorávamo-nos completamente entregues e deliciados pela faixa de prazer que estávamos a construir.
Sincronizámo-nos bem....os instrumentos, tão diferentes e cada um com as suas características tão singulares funcionaram bem juntos.
A melodia que obtínhamos era bela e deslumbrávamo-nos encantados por cada detalhe....

Mas os momentos, por mais fantásticos que sejam, não se podem eternizar e apesar de nos apetecer poder carregar no pause e permanecer ali para sempre....a faixa corria sempre em play, num frenético play.
Coloquei-me de quatro e entraste em mim. Poderia descrever a sensação de cada centímetro do teu corpo a entrar no meu e a encher-me toda! Gosto tanto assim....
Com a boca sugava aqueles lábios, doces como o mel, dos quais recordo cada prega. Com a língua fazia vibrar aquele clit...maravilhoso tesouro que desvendei como um botão mágico de um sintetizador do prazer.
Soavam gemidos de prazer....tão bonitos, tão sentidos!
"I just had to see
How the chemicals taste now, honey
Bite hard"
Mas tu esventravas-me com o teu pau a entrar em mim, com a pujança de uma baqueta a furar furiosamente a pele de um tambor, a um ritmo cada vez mais avassalador.
Não conseguia concentrar-me no meu instrumento, perdi o ritmo, senti o meu corpo a vibrar e desafinei. A minha língua soava descompassada naquele clit quando os gemidos me saltavam directamente do ventre para as cordas vocais.
"Well, it's a 505, your engine's alive and
We ride together
We ride together
We die together
Bite hard
Oh, bite hard
Oh, bite hard"
Mas eu não queria parar! Ritmava os dedos a entrar naquela gruta molhada...quente, doce..tão gulosa! A pujança dos investidas que descarregavas sobre mim faziam-me parar o cérebro e sentia-me prestes a explodir de gozo. A visão do quadro que se apresentava à tua frente deixava-te louco, descontroladamente teso....
Sabíamos que o fim estava a chegar e entregámo-nos todos. Os meus dedos entravam nela com a mesma ferocidade que o teu pau entrava em mim e fodemo-nos até explodires em mim num urro e eu desfalecer com a boca enterrada naquele delicioso pote de mel.
"I just had to
See now honey
Bite hard
...
We ride together
We die together"

Levantei-me, ergui as mãos ao céu e gritei com o um sorriso:
A vida é tão bela!


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Pleasures....o Rock n'Roll do Prazer (the middle time)

Observava-nos sorridente e viril comodamente sentado numa espera prazerosa.
Provámos o seu sabor misturado num beijo delicioso, tal como eu tantas vezes tinha sonhado.

Foi como carregar no play do rock n'roll do prazer!
"Eyes, boring a way throught me
Paralyse, comtrolling completely
Now there is a fire in me
A fire that burns"

E a música tocava alto e pujante, carregada de luxúria, a conduzir-nos os movimentos do corpo de acordo com o seu ritmo.
Alternavam-se os vocalistas com as línguas a experimentar sabores e ritmos, as mãos a manusear sabiamente e a explorar todos os instrumentos de prazer que havia ao dispor e a música saia forte, intensa e às vezes descontrolada.
"This fire is out of control
I'm going brun this city
Burn this city
This fire is out of control
Then, I'm out of control
And I burn"

Construíamos uma melodia irreproduzível...ficam-me gravados na mente acordes áureos e isolados que não consigo encaixar na pauta, momentos em que o prazer atingia píncaros de irracionalidade transformando-se em Arte...como quando descobri com a minha língua o teu cú, tão perfeito, tão guloso.....não sei o que me penetrava ou o que tinhas na boca....deixei de ouvir em volta e concentrei ali todo o meu foco, deslumbrada!
Não sei se foi antes ou depois que deslizei por baixo dos vossos corpos unidos, limitando o meu campo de visão ao vosso encaixe...o cheiro a foda a tocar-me o nariz, senti o sabor dos vossos sexos a alternar-se na minha língua de acordo com o ritmo em que ele entrava e saia de ti. Lamber-vos assim misturados, de olhos bem abertos a vê-lo cravar-se em ti a cada estocada que me roçava a cara elevou-me em órbita! Descargas eléctricas de prazer percorriam-me o corpo e transpirava sorrisos por todos os poros.
"Oh, how I burn for you
Burn, oh how I burn for you
Burn how I
Burn how I
Burn, oh how I..."


Os nossos corpos sincronizavam-se entre si à procura de tirar o melhor e o máximo partido dos instrumentos na busca da melodia perfeita. Encantados pela descoberta misturávamo-nos sem freios no nosso triângulo de prazer.
Sem regras, sem fronteiras, sem ensaios nem pauta a seguir, apenas movidos pelo instinto que nos corre nas veias.
(to be continued)



terça-feira, 20 de agosto de 2013

Pleasures.....Sonho de Mel (the beginning)

Parecia demais para ser real....só podia ser um sonho!
Mas como? Se os meus olhos estavam abertos e eu podia sentir-te, tocar-te.....
Não! Já não eras um sonho. Agora....eras real!
Apenas tive a certeza quando embrenhei os meus dedos nos teus cabelos, com a palma da mão na tua orelha...a puxar-te para mim e mergulhei no teu beijo. Melodias doces tocavam-me na cabeça....
"...sometimes de sound
of a thousand
whispers are where
you live a litle fear
but feel the pressure"

Sob o olhar dele, senti a tua língua agitada à procura da minha...e dei-ta!
As mãos deambularam pelos corpos a transformar em reais os desejos do imaginário dos últimos dias.
Não fechei os olhos. Queria ver-te. És tão bonita!!!

Desembaraçámo-nos das roupas que nos impediam de chegar onde queríamos e deixámo-nos cair na cama. Transformaste-te em Mel e colaste-me a ti! Deixaste-me gulosa....desejosa de te provar, de te sugar, viciada na doçura do teu toque. Queria besuntar-me de ti! 
E a música continuava a tocar...
"I feel us dream toghether
I feel no fear
I feel fire
Ohhh I
I Keep on dreaming
I live to dream again"

Sentia-me a chegar àquele limite em que o tesão tolda a razão, em que o pensar é engolido pelo sentir. Olhei para ti e disse-te:
- Anda, vamos buscá-lo!

(to be continued)

domingo, 18 de agosto de 2013

Just Thoughts...... Nua

Olhaste para mim e disseste:
- Estás tão bonita!

Olhei para mim e respondi:
- Obrigada. É apenas um macaco de algodão preto....
Mas pensei:
- Bonita? Como podia estar bonita? Vesti-me prática, com algo fresco que me desse liberdade de movimentos, um cinto velho e as Fly de todo o terreno.... Vesti-me a pensar para onde ia e não para onde vinha.

E quando cheguei ao pé de ti nua, porque me despi toda para fazer xi-xi (o histórico inconveniente dos macacos) e achei desnecessário vestir-me, ouvi:
- Cor de Rosa! Humm que giro!

Senti com surpresa o sincero olhar de aprovação, divertiu-me o resultado provocatório de um acto irrefletido e saltou-me um:
- Porquê?
- Porque é simples e divertido. É perfeitamente normal mas gostei mais do que aqueles conjuntos todos elaborados.

Sorri....em silêncio mas pensei:
- Gosto de lingerie colorida. Escolhi este porque o outro conjunto de cai-cai que gosto de usar, o rosa shock e preto, tinha as cuecas para lavar e não o pude vestir. Teria optado por ele, mais discreto num macaco sem costas preto.

Sentia-te a analisar-me. Já o tinha sentido com as palavras, mas agora avaliavas a forma como me tinha preparado para ti.
Desapareceu-me o sorriso e pensei:
- Foda-se! Sou gaja...como é possível que eu não me preparei para ele? Sabia que vinha aqui, que ia estar com ele, andei a ansiar pelo momento, a contar os minutos e não pensei na forma como ele me ia ver...na casca!?!?

Concluí em silêncio e disse-te com um sorriso, apesar de me ter apetecido dizer em voz alta:
- Ainda bem que gostaste mas eu hoje, para ti, vim nua!


sábado, 17 de agosto de 2013

Pleasures.....Viagens em Paredes

O dia começa com o som da água a correr aos meus pés.....
Não me escondo do Sol como os seres à minha volta que procuram uma sombra para dormir.
Eu já vivo! E sabe bem deixar que o Sol me toque e me aqueça o corpo frio da água gelada onde mergulho.
Ouço djambés e guitarras ao longe até que o som de um saxofone enche o ar. 

Três da tarde...e a música chega em tom de jazz/rock, como uma cócega a despertar com um sorriso corpos inertes. Vejo o palco ao fundo sob uma plateia de corpos deitados que lentamente se erguem aqui e ali.
Rodam copos com álcool que me chegam às mãos sem avisar, as cabeças enchem-se com o aroma da boa erva que circula no ar. Acordam-se os sentidos com mergulhos, olha-se para o mundo nas folhas de um jornal. Sente-se e respira-se Liberdade e Paz à minha volta!
O jazz transforma-se em rock/indie pesado e às vezes metal a tatear os corpos e a desafiá-los a levantar-se...para a festa.

Cinco da tarde....a música começa a soar do outro lado da Parede.
Espevitam-se almas com sons pujantes, novidades. Algumas tocam-me e fazem-me vibrar, outras passam-me ao lado sem as sentir.
O calor dos corpos mantêm-se enquanto o Sol se vai, embalados por melodias sonantes, ritmos com sabor a terras distantes ou sons há muito gravados na memória.

Progressivamente deixa de se fazer Arte ao manusear instrumentos que produzem melodias que me preenchem por completo. Deixa de haver dedos a dedilhar instrumentos e a provocar sensações, deixa de haver braços a marcar batidas fortes em explosões de êxtase, deixa de haver sopros que arrepiam a pele ou vozes a soltar gemidos que acompanham o som do prazer. 
E chegam os beats a chamar para a viagem que acompanha os químicos que enchem os cérebros dos corpos.
Não viajo com o mesmo bilhete, mas sinto o Amor espalhado pelo MD e a distância a que voam os olhos que me rodeiam em ácido e que se transformam em negros pelo tamanho das pupilas que dilatam até absorver a cor da íris.

De pés assentes no chão, mas com a cabeça em nuvens de THC, sinto-me na noite como uma visita bem acolhida a vaguear por entre a beleza envolvente.
Os beats soam impiedosos a puxar pelas viagens que emergem e a esventrar os corpos de quem já lá chegou. Nos palcos há apenas as mãos dos Masters que conduzem as Almas com o poder do som que sai das groves e dos sintetizadores. Brincam com os ritmos que dominam os movimentos dos corpos e controlam a gigante orgia de prazer. As batidas ritmadas aceleram progressivamente introduzindo mais um som que faz mover mais um braço, mais um beat a fazer vibrar um músculo...até a entrega ser total, num balanço frenético, até parecer que o corpo não vai aguentar mais e explodir no clímax do prazer acompanhado por um urro...para depois ser suavemente acariciado por um beat mais calmo, ou até uma melodia doce...e os corpos recuperam forças para mais uma investida. Às vezes param abruptamente quando os corpos já estão totalmente entregues, como quando ele saí de dentro sem avisar deixando uma sensação de desconsolo e vazio...apenas brincam para demonstrar o seu poder, pois antes de arrefecer penetram-nos com um beat profundo que arranca suspiros que enchem o ar.

Os corpos ficam esventrados, abertos, disponíveis, sequiosos de som. Receptivos a encher-se com qualquer outra vibração que surja noutros palcos. Esmifram todos os resquícios de música até ao último acorde e continuam a soar sons pelos cantos a embalar os movimentos dos corpos onde os químicos persistem, à medida que outros se vão deixando cair à beira rio até serem novamente despertados pelo Jazz.


Não vivi esta viagem, mas gostei de passear por lá.